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domingo, 30 de junho de 2013

E agora Boston?



Boston Celtics....

Sendo eu um fã dos LA Lakers,  posso dizer que este é o Franchise que mais odeio.
Mas ao mesmo tempo é também o Franchise que mais respeito!


Ultimamente tenho reparado numa falta de ambição tremenda por parte de muitos fãs de Boston!
Usando como desculpa o tão conhecido "Celtic Pride", baixaram os braços e em vez de mandarem a "mobília velha" ao mar para que o barco não afunde, preferem ir ao fundo todos juntinhos, de mãos dadas e em família.


Suspeito que grande parte desses fãs não passou pela ERA DO GELO, pós Bird/pré KG e fala assim porque desde que se tornou fã da equipa, sempre teve o frigorífico "cheio".


Já falaremos disso mais tarde....



Os Celtics sempre foram o motivo de inveja da liga.

A sua data de criação remonta ao ano de 1946  quando o presidente da Boston Garden-Arena Corporation, Walter A. Brown decidiu formar uma equipa para competir na BAA (Basketball association of America).


Em 1949 a BAA faliu e a equipa de Boston juntou-se à NBA.

Em 1950 os Celtics fizeram historia pois foram a 1ª equipa de sempre da NBA a escolher no Draft um Afro-Americano.

Os Celtics estavam com dificuldades em se afirmar na liga até que o lendário treinador Red Auerbach e o grande Bob Cousy, chegaram à cidade.


Em 1957 Auerbach escolheu com a 2ª pick do Draft, Bill Russell!
Juntando a ele, Cousie, o Rookie do ano 
Tommy Heinsohn e mais tarde John Havlicek, os Boston Celtics formaram uma dinastia.




De 1957–69, Boston ganhou 11 títulos em 13 possíveis.
Alcançou um recorde que até hoje ainda não foi batido. Nunca uma equipa profissional de desporto americana conseguiu até hoje ganhar 8 títulos seguidos como Russell e companhia conseguiram.

Os Celtics também foram a 1ª equipa com um 5 inicial completamente negro e isso quebrou alguns estigmas vividos pela sociedade naquela altura.


Nesse período nasceu também uma das maiores rivalidades de sempre, em qualquer desporto. Boston durante a sua dinastia, defrontou nas finais por 7 vezes a equipa dos LA Lakers e isso fez com que a animosidade entre as duas equipas durasse até aos dias de hoje.


Depois de Auerbach se retirar da posição de treinador, Bill Russell assumiu o cargo (treinador-jogador) tornando-se assim no 1º treinador negro de qualquer desporto profissional americano.
 

Russell retirou-se em 1969 terminando assim a Era em que tinha sido o principal protagonista.


Entre 1970-79 os Celtics atravessaram 2 fases de reconstrução mas ainda assim com  Tom Heinsohn ao leme, a equipa conseguiu alcançar 2 títulos (1974 e 1976).

Depois de um péssimo recorde na época de 1978 (32-50), o jogador com mais pontos na historia dos Boston Celtics,  John Havlicek retirou-se.


Apesar do destino incerto e da época medíocre que se seguiu, Auerbach tinha uma carta na manga e essa carta chamava-se LARRY BIRD.



Bird que foi a 6ª escolha do draft, ficou mais um ano na Universidade de Indiana State, perdendo na final da NCAA para Michigan State de Magic Johnson .

Os Boston Celtics tinham assim adquirido um dos maiores jogadores da história da NBA e Bird logo na sua época de rookie (ganhou o prémio de Rookie of the year) fez história.
Boston acabou a época com 61 W e 21 L e estabeleceu assim o maior crescimento no numero de vitórias  conquistadas  em relação à época transacta  (+ 32 vitórias que a época anterior).

A equipa ainda assim esbarrou contra os 76ers nas ECF e acabou por ser eliminada antes de chegar à final. 
Anos de glória esperavam a equipa que veste de verde e branco...

Numa das trocas mais surreais e desniveladas da história da liga, Auerbach que tinha juntado várias draft picks, trocou a 1ª escolha do draft e a 13ª para os GS Warriors. Em retorno recebeu Robert Parish e a 3ª escolha do draft. Essa 3ª pick tornou-se Kevin McHale e assim se formou o "BIG 3".

Em 1980-81 os Boston Celtics viriam a conquistar o título frente aos Houston Rockets, depois de terem ultrapassado um verdadeiro teste de fogo contra os 76ers, que estiveram a ganhar 1-3 durante as ECF mas sucumbiram perante Bird e os seus companheiros.

A época seguinte marcou o reencontro de 2 jovens rivais que já disputavam entre si o lugar cimeiro no top de jogadores da liga.
Em 1983-84, Bird enfrentou pela 1ª vez Magic nas finais e a equipa de Boston saiu por cima nesse duelo, conquistando mais um anel. 


No ano seguinte Magic devolveu a gracinha e venceu pela 1ª vez na história dos Los Angeles Lakers, uma final contra o seu odiado rival . 

Mas os Celtics não vacilaram....

A equipa que jogou a época de 1985-86 é ainda hoje considerada uma das melhores equipas de todos os tempos.

Os Celtics tinham adquirido Bill Walton através de uma troca com os Los Angeles Clippers e Walton que vinha de uma época cheia de lesões estava disposto a sair do banco para ajudar o Big 3.
Nessa mesma temporada, Walton ganhou o prémio de 6th Man of the Year, Bird ganhou o seu 3º MVP consecutivo e ambos ajudaram a estabelecer uma marca impressionante.
Dos 41 jogos disputados em casa a equipa venceu 40 e sagrou-se mais uma vez campeã da NBA frente aos Houston Rockets. 
Este seria o último título dos Boston Celtics no séc. XX, pois nos anos seguintes, tanto o Show time de Magic como os Bad Boys de Isiah Thomas, conseguiram derrotar os Cs.

O ano de 1986 ficou também marcado pela morte de Len Bias. 

O extremo da Universidade de Maryland que por muitos era visto como o próximo Michael Jordan, foi escolhido na 2ª posição do draft pelos Boston Celtics mas viria a falecer vitima de overdose por cocaína. Podem ver o documentário sobre a sua história aqui(link).



Bird que já mostrava vários sinais de desgaste e que foi assolado por uma praga de lesões, participou em apenas 6 jogos na época de 1987-88. Foi operado para tentar retirar algumas farpas de osso que tinha nos pés e o que supostamente o faria perder as partidas até ao jogo All Star acabou por fazê-lo perder a temporada inteira.

Depois de ter participado nos jogos Olímpicos de Barcelona representando a Dream Team, Bird retirou-se após 13 épocas como jogador.

Estávamos então a assistir ao fim de uma Era dourada e ao começo da "Era do Gelo", que se instalou na equipa do Massachusetts até 2008. 




A fase pós Bird trouxe caos e tragédia.

Reggie Lewis que era considerado o sucessor de Bird, teve um colapso na 1ª ronda dos playoffs e isso criou um grande alvoroço por toda a liga.
Mais tarde Lewis conseguiu que os médicos lhe dessem alta médica, deixando-o assim apto para voltar a treinar.

Na pré-época, enquanto estava a treinar na Universidade de Brandeis, Reggie voltou a ter um colapso mas desta vez não conseguiria sobreviver. O mesmo foi vitima de um ataque cardíaco e acabou por falecer.

Os Boston Celtics para honrar a sua memória retiraram o seu numero (35) e até hoje a sua camisola está pendurada no tecto do TD Garden. 

O Big 3 tinha finalmente acabado com Kevin McHale a retirar-se e com Parish a embarcar nos New Orleans Hornets. Os Celtics acabaram assim a época com 32 vitórias e 50 derrotas.
A equipa de Boston mudou para o TD Garden em 1995 e na temporada seguinte estabeleceu o recorde de derrotas na história dos Franchise. (67 derrotas)

Outra má decisão tomada pela equipa foi a troca do seu rookie Billups para os Toronto Raptors. Billups viria a ser Finals MVP alguns anos depois, com a camisola dos Pistons ao peito.


O Draft the 1998 trouxe "A Verdade" ao TD Garden.

Com a 10ª escolha do draft, os Boston Celtics escolheram Paul Pierce. Uma jovem estrela universitária que não devia estar sequer disponível na 5ª posição mas que por algum motivo chegou à 10ª sem ser escolhido.

Com Pierce e Antoine Walker, os Celtics pareciam estar perto de virar o barco mas mais uma vez, más decisões fizeram com que a Era do gelo se prolongásse.

Em 2001 os Boston Celtics tinham três first round picks e com elas os Cs escolheram Joe Forte, Kendrick Brown e Joe Johnson. Só o último se viria a afirmar como uma estrela da NBA enquanto os outros 2 foram umas autênticas desilusões.

Depois de em 2002 terem chegado surpreendentemente às ECF, derrotando os favoritos Pistons e os 76ers de Allen Iverson (que tinham estado na final no ano anterior), sucumbiram às mãos de J. Kidd e dos Brooklyn New Jersey Nets.

No ano seguinte Danny Ainge, ex base da equipa, tornou-se General Manager do conjunto.
Depois de em 2004 terem contratado Doc Rivers como treinador, terem  sacado no draft Tony Allen, Al Jefferson e Delonte West e com o regresso do All Star, Antoine Walker a meio a época, Boston conseguiu recuperar o título de campeão da Atlantic Division mas viriam a ser eliminados na 1ª ronda novamente.

Depois de mais um desastre em 2006 no que toca ao draft e às trocas realizadas ( Randy Foye, Dickan e Lafrentz foram trocados pelo super bust, Sebastian Telfair e Theo Ratliff), Ainge conseguiu finalmente acertar uma.

Os Boston Celtics compraram uma draft pick aos Suns que mais tarde se veio a tornar em Rajon Rondo!
A travessia do deserto estava a acabar.

O último ano em que os Boston Celtics estiveram entre as equipas menos cotadas da liga trouxe uma má notícia. Red Auerbach, um dos poucos sobreviventes que estava ligado à génese da equipa, faleceu aos 89 anos.

Para piorar os Boston Celtics tiveram um recorde de 2-22 entre o final de Dezembro e o início de Fevereiro. Paul Pierce tinha um problema no pé e Tony Allen que até o estava a render com alguma qualidade, fez esta parvoíce que lhe causou uma rotura de ligamentos  ACL e no MCL do joelho esquerdo.



A equipa teve o 2º pior recorde da liga e por esse motivo estava com grandes possibilidades de conseguir escolher no draft, Greg Oden ou Kevin Durant.
 A sorte ditou que Boston ficaria com a pior draft pick possível (5ª pick) e isso parecia que ia fazer com que o verniz estalasse.
Circulavam rumores bastante fortes que Doc Rivers iria ser despedido e que Paul Pierce iria exigir uma troca mas depois da tempestade veio a bonança e ambos tiveram a oportunidade de se redimir no ano seguinte...


A Era do Big 3

Ainge aproveitou a derrocada que estava a acontecer em Seattle e na noite do draft enviou  Jeff Green e Wally Szczerbiak para os Supersonics.
Em troca receberam o All Star atirador, Ray Allen e uma draft pick de segunda ronda que mais tarde se veio a transformar em Baby Shaq, Glen Davis.

O segundo passo que o GM orquestrou foi mais difícil de concretizar.
Depois de uma relutância absoluta em ser trocado para os Boston Celtics, prometendo aos fãs que seria para sempre um "Lobo", Kevin Garnett não se mostrava nada interessado em ingressar na equipa do Massachusetts.
Mas a renegociação de contrato que Boston lhe prometeu e que o fez tornar-se no jogador mais bem pago  em toda a história da NBA finalmente convenceu Big Ticket a juntar-se ao projeto.

Kevin McHale que na altura era GM dos Wolves e que já mencionamos anteriormente, trocou KG, recebendo em troca Al Jefferson, Theo Ratliff, Telfair, Ryan Gomes e Gerald Green.

Estava assim formado o BIG 3 que prometia tornar-se numa Dinastia e com a chegada de Tom Thibodeau, os Celtics tornaram-se numa das melhores equipas defensivas de todos os tempos.

Os Celtics tiveram o maior aumento no numero de vitórias. de uma época para a outra na história da NBA (+ 42), acabando com um recorde de 66-16. Depois de uma época espectacular  em que a cidade voltou a respirar basquetebol, o ambiente estava pronto para os playoffs e quem torcia pelos Celtics não ficou desiludido. Depois de um começo lento em que foram por 2 vezes ao jogo 7 (Na 1ª ronda contra os Hawks e na 2ª contra os Cavs de Lebron James), Boston chegou às ECF e derrotou os Pistons em 6 jogos.

Com a chegada dos Celtics à final, a rivalidade entre as 2 equipas mais emblemáticas da liga tinha renascido.
Pela 11ª vez na história da NBA e pela 1ª desde 1987, os Boston Celtics e os Los Angeles Lakers voltavam a encontrar-se nas finais.
Kobe Bryant que naquela altura era o MVP da liga, deu alguns problemas à equipa verde e branca mas depois de terem desperdiçado uma vantagem de 24 pontos no jogo 4, a equipa da Califórnia fraquejou.
O jogo 6 foi uma autêntica humilhação para LAL que perdeu a partida 131-92 e viu assim o seu eterno rival a conquistar o seu 17º título.


Estávamos perante uma equipa que prometia dominar a liga nas épocas seguintes mas não foi bem isso que realmente aconteceu.
Durante a seguinte época, os Celtics alcançaram mais uma marca histórica ao conseguir o melhor início de temporada de todos os tempos.
Os Cs que tinham começado a época com um recorde de 27W-2L e que tinham alcançado o recorde de vitórias seguidas na história do franchise (19), tiveram um percalço pelo caminho que lhes iria custar bem caro. 
Kg lesionou-se e falhou os últimos 25 jogos da época, fazendo com que os Celtics se tornassem num alvo mais fácil de abater.

Depois de uma épica 1ª ronda em que os Bulls levaram a série a 7 jogos (4 deles com prolongamento), Boston deparou-se com Superman e os seus Orlando Magic.
A equipa da Flórida esteve a perder a série por 3-2 mas com Dwight Howard ao leme, conseguiriam infligir um rude golpe às aspirações dos Verdes.

A equipa que mais tarde iria perder nas finais com os Los Angeles Lakers, começava a colocar em causa a supremacia dos Celtics na conferência Este mas a vingança seria consumada na época seguinte.


Boston começou a temporada 2009-10 com bastante fulgor, obtendo 23 vitórias em 28 partidas travadas e ai Doc Rivers decidiu descansar os jogadores mais velhos do conjunto.
A equipa a partir desse momento alcançou 27 W e 27 L terminando a época na 4ª posição do Este.



Destruindo os Heat de D. Wade em 5 jogos e destroçando os sonho que Lebron tinha em vencer um anel pelos Cavs, os Celtics teriam a oportunidade de se vingar da equipa que os tinha mandado para fora dos Playoffs no ano anterior.
Rajon Rondo que nessa mesma época tinha sido pela 1ª vez considerado All Star, já era um contribuidor bastante importante para além do Big 3.

Boston encontrava-se mais uma vez ( 12ª para ser exacto), frente a frente com o seu rival, os LA Lakers.
A equipa do Este que esteve a certa altura a liderar as finais por 3-2 e que parecia estar embalada em direção ao seu 18º título, tropeçou.
A lesão de Perkins no jogo 6 e a derrocada que aconteceu na 2ª parte do jogo 7 (Boston liderava por 13 e acabou por perder) marcaram para sempre o legado deste Big 3.



Depois da custosa derrota com os arquirrivais, a fortaleza começou a desmoronar.

Danny Angie sabia que Perkins não poderia jogar até Fevereiro e isso fez com que contratá-se a dupla de  O'neals como "apólices de seguro".
Enquanto Paul Pierce se tornava no 3º Celtic a alcançar a barreira dos 20000 pontosRay Allen se tornava no jogador da NBA com mais triplos marcados em toda a história, os Celtics iam vencendo mesmo sem Perkins (33-10).

O GM olhou para os números, viu que a equipa estava a ter um bom rendimento com Shaq (19-3 em jogos onde Diesel jogou mais de 20 minutos) e decidiu assim trocar Perkins para OKC, recebendo o jovem em ascensão de Jeff Green.

Com Carlos Arroyo, Green e Krstic a ter vários problemas de adaptação aos novos papeis e com Shaq que jogou apenas 5 minutos depois do dia 1 de Fevereiro 
(devido a lesões), os Boston depararam-se com os Super Miami Heat e foram derrotados em  5 jogos!

Na época seguinte e após Shaq se ter retirado, Boston voltou a fazer uma época mediana terminando em 4º lugar na tabela classificativa.
A equipa que já se tinha tornado na "equipa de Rondo" voltou a encontrar Miami na final e desta vez encostou-lhes as costas contra a parede.
Estiveram a ganhar 3-2 com a possibilidade de fechar o jogo em casa mas depois do  "Good Job, Good effort" e do célebre "Boo Boo go to bed" a equipa voltou a claudicar.

Mesmo com um jogo 7 épico por parte de Rondo, os Celtics mais uma vez caíram vitimas da equipa de South Beach.


Antes da época começar. Ray Allen abandonou Boston e juntou-se à equipa que os tinha eliminado, os Miami Heat.
Ao contrário do que todo o mundo diz e apesar de Ray Allen ser visto hoje em dia como "Judas" para os fãs de Boston, a história da sua partida é muito mais complexa do que se pode pensar.

Ray, que já tinha tido problemas com Rondo e que já teria pedido por várias vezes a Doc que desenha-se mais jogadas para si, foi colocado na casa do cão.
O jovem defesa Avery Bradley tinha atirado a extremo All Star para o banco e isso agravou ainda mais o estado de descontentamento do atirador.

O golpe de graça foi a contratação de Jason Terry por parte do conjunto verde.
Ray que já tinha pouco espaço, não pensou duas vezes e dias depois de saber que JET estava com malas aviadas para Boston, agarrou nas suas e foi para South Beach.

Com Tom Thibodeau já bem longe do cojunto e com bastantes jogadores novos. a equipa dos Celtics parecia estar recarregada e pronta para lutar pelo título mas a época acabou por ser um desastre. Os jogadores novos não se adaptaram bem, o ataque que já era mau com Rondo, passou a ser péssimo (devido à streak de jogos com mais de 10 assistências em que o base se encontrava) e a equipa estava completamente desnorteada.

A equipa acabou por ver Rondo se lesionar gravemente no joelho e já sem gás, chegou aos playoffs apenas para servir como aquecimento para os Knicks de Carmelo Anthony.

Na última semana deparámos-nos com o final do Big 3 e o que estava destinado a ser uma dinastia acabou por sem um "One and Done".
Rivers abandonou o barco e foi para pasturas mais verdes (Clippers).
KG e PP, depois de ponderarem entre eles, decidiram ir para Brooklyn e assim Garnett abdicou da sua "No Trade Clause" (pode vetar qualquer tipo de troca) deixando a troca prosseguir.

Assim terminou mais uma Era que provavelmente deixará saudades.



domingo, 9 de junho de 2013

"Antigamente é que era bom!" Será mesmo assim?! (90s vs 00s)



"No meu tempo é que era bom!"

Disseram os meus avós, diziam os meus pais, digo eu hoje e dirão os meus filhos amanhã, se um dia tiver o azar a sorte de os ter.
Transportando essa expressão para a NBA criou-se um mito (ou não) que a geração que jogou nos finais dos anos 80 e princípios dos anos 90 era composta por um grupo de "vacas sagradas" que só estavam ao alcance daqueles que os antecederam.

A Team USA de '12 nunca derrotaria a Dream Team de '92, Kobe nunca alcançaria Jordan, Artest nunca seria o defesa que Pippen foi, Dwight seria uma nulidade se tivesse jogado nos anos 80 e toda uma lista de comparações que acontecem semana após semana e que eu podia continuar a enumerar.

Todas elas têm um denominador comum! A valorização das Lendas que já acabaram as suas carreiras e já têm as suas camisolas penduradas no teto dos pavilhões, em detrimento das jovens estrelas que ainda não "fecharam a loja" e continuam a lutar por um legado melhor.

A ultima acha atirada para a fogueira foi da autoria do nada controverso Dennis Rodman, que disse o seguinte :

"Lebron seria um jogador normal se jogasse na Era em que eu joguei."



Acrescentou também que se MJ jogasse hoje, marcaria em média 40 pontos sem sequer suar.
Não satisfeito, The Worm acrescentou  que as equipas da altura arrasariam as equipas desta Era.
Para terminar falou do fator "pancada" contando que um jogador nos anos 90 levava um golpe duro, lançava lances livres e depois continuava o jogo como se nada fosse.

Vamos tentar entender hoje, se esses comentários são verdadeiros ou não e vamos também tentar falar de outros temas que envolvem este "duelo" entre a Era de Rodman e a de Lebron.

Estamos a falar de cenários hipotéticos e não de factos por isso se não tiverem uma máquina do tempo por ai, não as assumam como dogmas nem como completos disparates.



Antes de começarmos a falar de jogadores e equipas temos de falar das regras.

HandChecking (clica no link)

Uma das regras que transformou a NBA numa "Via Verde" para os jogadores exteriores.
Traduzido para português seria literalmente controlar ou deter o atacante com as mãos.

A NBA, com Jordan (Galinha dos ovos de ouro) como seu cabeça de cartaz estava a atrair um publico mais vasto do que alguma vez tinha feito e por esse motivo decidiu abrir o jogo e privilegiar o espetáculo (ofensivo).
A liga que até à altura tinha no seu top 10, sete ou oito gigantes, mudou drasticamente o tipo de defesa que se podia aplicar sobre um atacante no perímetro.

Antes da regra os defesas exteriores podiam ,controlar os defesas com as mãos, dar pequenos toques, usar resistência física para parar um jogador e até agarrar ou enganchar jogadores sem bola, para que eles não conseguissem obter uma posição favorável.

A implementação da regra começou em 94 e chegou ao que é atualmente em 2004.
Ser um jogador exterior naquela altura, era claramente mais difícil do que é agora.

Faltas Duras (clica no link)

Como podem ver no link as faltas eram muito mais duras do que são agora.
O que hoje é falta, antigamente era um toque.
O que hoje é uma técnica, antigamente seria uma falta de jogo.
O que hoje é uma expulsão, antigamente seria uma falta técnica.

Ou seja, os jogadores que já eram defendidos de maneira condicionada ainda eram alvos destas "prendas" por parte dos adversários.
Nunca se estava a salvo deste tipo de jogadas e tudo o que os jogadores atingidos tinham a fazer era lançar os lances livres e voltar à carga.

A máxima "o que não me mata torna-me mais forte" era levada à letra e quem não tivesse esse tipo de mentalidade não se aguentava muito tempo na liga.

O expoente máximo da fisicalidade que existia nos finais dos anos 80 e princípios dos anos 90 são as "
Jordan Rules" (clica no link).
Uma tática desenvolvida por Chuck Daly para parar MJ usando vários double e triple teams. Para além da componente técnica, os Bad Boys de Detroit tinham como intenção "bater" em MJ sempre que o mesmo fosse possível.

A cereja no topo do bolo é a regra que vamos apresentar a seguir...

3 Segundos Defensivos (clica no link)

Esta regra só foi implementada em 2001.

Antes disso era possível que um jogador permanecesse dentro da área pintada mais do que 3 segundos, sem que tivesse que estar a um braço de distância de quem estava a defender.

Os jogadores exteriores cada vez que penetravam tinham lá em baixo um "camião"  estacionado no garrafão, que ficava à espera de qualquer "peão" mais distraído para lhes passar por cima.

Esta regra fazia com que fosse muito mais complicado acabar com lançamentos perto do cesto.



Agora que já entendemos algumas das mudanças de regras mais importantes da liga, nos últimos 20 anos podemos falar da afirmação que Rodman fez sobre LbJ....

Pensando melhor vamos falar antes de um pequeno, GRANDE jogador que viveu "o antes e o depois", sentindo na pele estas mudanças .
Um jogador que não tinha a estampa física que King James tem mas que pelos vistos não foi muito afetado pelas regras "barbaras" que fazem com que um jogador que hoje marca 30 pontos por jogo, nos anos 90 marcasse apenas 15.

Alguém conhece este rapaz?


Allen Iverson que ainda não desfilava pelos campos da liga, de manga no braço e cabelo trançado, já fazia estragos nos anos 90.

AI foi o Rookie do ano em 1997 e mais tarde MVP da liga. Era um jogador indefensável!!! A sua rapidez e a sua técnica individual faziam com que The Answer fosse um dos talentos mais temidos da NBA.

Vamos lá tentar entender se as regras alteraram os dados estatísticos do base de Filadélfia:

(clica para aumentar)

Pelos vistos não houve nenhum aumento substancial depois da implementação das regras.
AI não ia muitas mais vezes para a linha de lance livre e não passou a marcar mais 10 ou 15 pontos do que marcava antes!
 Mas o pequeno MVP também não era tosco nenhum e antes das HandChecking Rules ou das defesas zona já conseguia dominar o jogo.

Um dos jogadores mais rápidos de sempre e que agora não podia ser limitado fisicamente continuou a produzir o que sempre produziu.

E isso leva-nos a Lebron....
Será que as regras, que não afetaram um base de 1,83m e 75kg iriam transformar um autentico tanque de guerra com mais 20 cm e 40KG (QUARENTA) num jogador mediano?!

Rodman desta vez foi longe demais!
Lebron, que é provavelmente um dos 5 melhores atletas que a NBA alguma vez viu! Salta mais alto, corre mais rápido e é mais forte do que 95% dos jogadores daquela Era.

Se Lebron hoje em dia faz um flop por jogo ou se queixa aos árbitros, fá-lo por manha e não porque dói!

O ambiente ao nosso redor determina e condiciona o nosso desenvolvimento!
 Se Lebron fosse a 1ª escolha do draft e crescesse numa era de "carniceiros", certamente também andaria com um cutelo no bolso para não ficar atrás.


Se fizéssemos um draft em que todos os jogadores, de todas as Eras estivessem disponíveis LbJ seria TOP 10 tranquilamente! Neste momento não tem uma carreira que o catapulte para esse mesmo top mas o que lhe falta não é jogo. Faltam-lhe títulos e isso acaba por não ter nada a ver com basquetebol.



Lebron passa, Lebron dribla, Lebron lança de fora, Lebron ataca o cesto, Lebron defende (embora seja um pouco sobrevalorizado), Lebron ressalta e  faz isto tudo enquanto pode jogar em 4 posições diferentes.
  • Podemos também dizer que neste momento os atletas são infinitamente superiores aos atletas dos anos 80 e 90.

  • Podemos dizer que a liga tem muito mais talento do principio ao fim e que o 200º melhor jogador da liga na década de 90, provavelmente hoje nem jogaria na NBA.

  • Podemos dizer que a Team USA neste momento já joga contra equipas de elite enquanto a Dream Team não jogou sequer contra alguém digno desse titulo.
O mito que diz que James apenas usa a técnica da força e não a força da técnica não passa disso mesmo, um MITO!



Já entendemos que ainda é cedo para comparar Lbj com MJ.
Provavelmente King James não chegará sequer perto do numero de "divisas" que sua alteza tem mas isso não é motivo para que não reconheçamos o facto de estarmos a olhar para um dos melhores de todos os tempos.

Aproveitem enquanto podem (e quem diz Lebron diz Kobe e companhia) porque quando eles pendurarem as botas quem vai dizer "no meu tempo é que era" vamos ser nós!

Lebron seria grande em qualquer Era!
 Rodman devia estar a falar de Chris Bosh.



Podiamos acabar aqui mas vamos tentar fazer uma coisa que raramente acontece quando há este tipo de discussões entre maçãs e laranjas.

Porquê que 85% destes debates têm os fãs que deliram com os anos 90 na ofensiva e quem defende os 00's está invariavelmente na retranca?!


E que tal virar a mesa e passar a ser o "agressor" em vez da "vitima?"

Para quem acha que a mudança de regras nunca prejudicaria um jogador dos anos 80 e 90 em relação aos jogadores de hoje em dia, deixo aqui um comentário de Doc Rivers.



"No primeiro eles retiraram o nosso HandCheking" Rivers recordou. "No ano a seguir eles retiraram o nosso antebraço."

"E na altura eu retirei-me. Eu estava acabado. Na minha cabeça eu pensava 'Tenho de mexer as pernas? Então desisto! Isto já não é engraçado!"



Eu não quero ser aquele fã que é "prisioneiro do momento" e escolhe o Kyrie ou o Curry como melhores bases da NBA, sempre que os mesmo fazem 30 pontos. Também não quero ser aquele fã que está preso no passado e que não pode dar um elogio a um jogador no ativo sem mencionar que o "dinossauro", que não joga desde o Cretáceo era muito melhor.

Com um pouco de senso comum é fácil usar as palavras de Rodman, Pippen, MJ e todos os amantes da década de 90 contra si próprios.
  • Se era muito mais difícil atacar naquela altura porque hoje em dia os jogadores exteriores estão protegidos pelas regras então isso não quer dizer que os defesas exteriores da liga, hoje em dia ,são muito melhores??!







Se Pippen, que é discutivelmente o melhor defesa exterior de sempre podia agarrar, puxar, controlar os jogadores com as mãos e fazer faltas duras sem ser expulso o que seria dele sem esses mesmos benefícios?


O que seria de Ron Artest no seu pico, que mesmo com todas as limitações que os jogadores exteriores encontram hoje na defesa, TRANCAVA completamente o seu adversário?

Se as defesas de antigamente eram muito mais difíceis de romper porque o nível de fisicalidade permitido era muito maior então o que aconteceria se um jogador dos anos 80 que só sabe defender com as mãos, caísse de paraquedas numa liga em que qualquer toque é falta?

O que fariam Bruce Bowen e Tony Allen (que já são defesas de top) se pudessem usar as suas mãos para condicionar os adversários?

Os defensores de Pippen costumam usar as finais em que o mesmo defendeu Magic e lhe causou  problemas, para justificar o seu estatuto de GOAT, no que toca a defesa exterior.

Eu tenho 2 perguntas...

Isto é "trancar"??? 

Quantos minutos é que Pippen jogaria na NBA de hoje em dia, se defendesse sempre assim?
(Isto é uma otíma defesa mas Magic não é propriamente conhecido pela sua rapidez e qualquer tipo de tentativa em fazer isto a bases como Wall, Westbrook, Rose, Ty Lawson ect dariam 2 faltas rápidas no 1º período)

Antes questionámos se Lebron conseguiria marcar 25 pontos nos anos 90.
Mas será que Pippen conseguiria fazer o mesmo tipo de defesa sem usar as mãos e o corpo para limitar o adversário?






"Howard se jogasse na década de 90 seria um jogador banal"

O 3x Defensive player of the Year teria alguns problemas no ataque se jogá-se contra os Mutombos e os Hakeems dos anos 90 mas defensivamente não será Dwight MUITO MELHOR do que essas mesmas lendas no que toca a defesa?

Os jogadores dos anos 90 têm a vantagem de poder ficar dentro da área pintada mais do que 3 segundos à espera das penetrações.
Tinham também a vantagem de ter defesas à frente que podiam condicionar e "amolecer" o atacante antes que o mesmo chegasse a si. Antes de chegar ao seu destino final, já tinha levado 2 ou 3 toques do seu defensor pessoal .

Os atletas de hoje em dia são muito melhores que os dos anos 90 (volto a repetir).
Arrisco-me a dizer que o único defesa de elite com atleticíssimo suficiente para guardar Jordan jogava na sua equipa.


A NBA tornou-se numa liga de Pick and Roll ou seja, os postes que estavam a habituados jogar no interior e que não gostavam de vir cá para fora, hoje são obrigados a fazê-lo.

Hoje existem muitos postes a vir para o perímetro lançar de 3, o que faz com que o seu defesa tenha que andar fora da sua "zona de conforto".

E ainda assim, com todos estes contratempos, Dwight  consegue dominar a liga defensivamente. Será que Mutombo sem tantos benefícios conseguiria fazer o mesmo?
Será que Hakeem, que era um enorme defesa, seria o mesmo defensor dominante se apanhasse pela frente o tipo de atletas que Dh12 apanha noite sim, noite sim? 


Neste momento existem bases em cada esquina que conseguem meter o mais alto dos postes no mais ridículo dos posters.
A Ciência e a medicina desportiva ajudaram Lebron a ser o jogador que é mas James não é o único a usufruir das mesmas e a sua concorrência tem a mesma vantagem.
Lebron, Kobe, Durant e companhia, têm o mesmo tipo de tratamento preferencial que Jordan tinha na altura.

Na minha opinião, MJ é o melhor de sempre mas antes de Wilt falecer ele disse algo muito interessante:


"Para tu seres considerado o melhor de sempre tens de fazer com que a NBA seja obrigada a mudar as regras para te parar."

"Jordan fez com que as regras mudassem a favor dele e não contra. Enquanto nós eramos castigados e os árbitros não faziam nada para tornar o jogo "justo", Jordan é intocável!
Tanto os árbitros como Stern e o seu marketing à volta do melhor jogador de sempre,  fizeram com que o seu legado se torna-se inalcançável."

 
Nós vivemos numa altura FANTÁSTICA para ser um fã da NBA.


Está tudo à distancia de um clique, a informação é atualizada ao minuto, nas redes sociais.
Acabaram as pesadas cassetes de VHS e o problema de podermos apenas ver o jogo que a cadeia de televisão decidiu transmitir.

Quando Kobe e companhia se retirarem e tivermos Rose e Westbrook no seu auge, a espalhar magia pela liga, vamos ter exatamente a mesma necessidade de comparar e de dizer que "no tempo do Kobe e do Duncan é que era".

Vamos aproveitar então!!!


Porque o que hoje damos por garantido, amanhã pode não cá estar.
Duas excelentes Eras, uma só paixão!!

We Love This Game!